NOTÍCIA

Renault faz 20 anos de produção no Brasil com recorde de participação

 
Ao completar 20 anos de produção no Brasil no último dia 4 de novembro, data da inauguração oficial da fábrica de São José dos Pinhais (PR), a Renault comemora a maior participação de mercado de sua história no País, com 194,3 mil veículos emplacados de janeiro a novembro, o que equivale a 8,7% das vendas do mercado brasileiro em 11 meses – em 2017, o porcentual um ponto inferior de 7,7% já tinha sido recorde. Com isso, a marca francesa deverá experimentar crescimento expressivo de 28% a 30% sobre o ano passado, ou cerca do dobro da expansão média deste ano, calculada em torno de 14%. Para 2019 é esperada nova expansão, mas menor, de um dígito porcentual alto ou dois baixos. 
 
“Tudo começou com 0,5% de market share em 1998. Desde então sempre perseguimos o objetivo de ultrapassar os 8% de participação e conseguimos isso 20 anos após iniciar a produção no Brasil. Agora já temos outro objetivo, vamos crescer de forma constante e alcançar 10% do mercado até 2022”, afirma Luiz Pedrucci, presidente da Renault Brasil e América Latina.
 
O executivo lembra que a Renault teve trajetória difícil no País, viu sua participação avançar para 4,8% em 2001 e depois, “com a gama de produtos defasada”, caiu para 2,8% em 2006. A retomada veio quando começou a fabricar os produtos da linha Dacia (o primeiro foi o Logan lançado em 2007) e desde 2010 a marca vem crescendo sem interrupções no mercado brasileiro. 
 
Para o futuro, Pedrucci avalia que o cenário está mais claro e estável após as eleições, o que deverá garantir crescimento constante do mercado nos próximos anos. “Com a aprovação do Rota 2030 (nova política industrial direcionada ao setor automotivo) e a definição política sabemos o que teremos de fazer, nas tecnologias e nos produtos que temos de investir. Agora podemos definir os investimentos”, afirma. 
 
Novos Produtos
 
Para Pedrucci, o novo objetivo de 10% até 2022 será alcançado naturalmente, com a continuação do ritmo atual de vendas e a introdução de novos produtos em segmentos nos quais a Renault ainda não atua. “Miramos especialmente a fatia de SUVs acima do Captur”, diz, revelando a intenção de lançar no País um novo utilitário esportivo médio-compacto (algo parecido com o tamanho de um Jeep Compass). “Ainda não atuamos nessa faixa e vamos entrar, só não sabemos ainda como. Uma opção é o Arkana (lançado este ano no Salão de Moscou) ou então trazer um novo modelo de C-SUV ainda em desenvolvimento”, explicou. 
 
Outro segmento na mira é o de picapes médias. “O produto (Alaskan) já está pronto e a fábrica na Argentina também (onde será produzida em conjunto com Nissan Frontier e Mercedes-Benz Classe X). Mas é um segmento muito competitivo e ainda não encontramos a equação econômica ideal para a Alaskan no mercado brasileiro, por isso ainda estamos estudando o que fazer”, afirma Pedrucci. “Também olhamos o mercado de utilitários, em que somos líderes com a [van/furgão] Master”, acrescenta. 
 
Pedrucci destaca, no entanto, que a estratégia a ser seguida é a mesma que tem garantido o sucesso da empresa no Brasil com crescimento ininterrupto desde 2010 até agora. “Só começamos a crescer consistentemente aqui quando focamos em fazer os produtos que os brasileiros queriam e que podiam ter”, afirma, referindo-se aos carros da linha romena do grupo, a Dacia, que empresta sua plataforma à maioria dos Renault produzidos no Paraná (Logan, Sandero, Duster e Captur sobre plataforma Dacia). E o compacto de entrada Kwid, um projeto originado na operação da Renault na Índia e lançado ano passado para os brasileiros, é hoje o carro mais vendido da marca no País, com quase 80 mil emplacamentos de janeiro a novembro, figurando entre os dez mais comprados. 
 
Produção em alta com exportação em queda 
 
A fábrica da Renault no Paraná opera em três turnos completos, acelerada em maior medida pelo mercado doméstico em alta, que compensa a queda estimada este ano de 13% nas exportações, causada pela retração nos embarques para a Argentina. Pedrucci calcula que no total 84 mil unidades deverão ser embarcadas a outros países em 2018. As vendas externas sempre representaram parte importante da produção em São José dos Pinhais, respondendo por 30% dos 3 milhões de veículos já produzidos pela planta e 40% dos 4 milhões de motores fabricados no Complexo Ayrton Senna. 
 
“Ainda vamos exportar um bom número este ano, mas temos de buscar novos mercados, estamos ampliando as vendas no Chile, Peru, Paraguai e na Colômbia abrimos a pré-venda do Kwid com 1,2 mil unidades já compradas. Acreditamos que o modelo será um sucesso por lá. Mas será difícil compensar toda a queda na Argentina”, diz Pedrucci. 
 
O executivo avalia que em um próximo ciclo de investimentos na operação brasileira, ainda não decidido, não será necessário ampliar a capacidade anual de produção no complexo, de 320 mil carros, 60 mil utilitários, 600 mil motores e 500 mil blocos e cabeçotes de alumínio fundidos. As quatro fábricas do complexo, centro de engenharia e escritório administrativos empregam diretamente 7,3 mil pessoas, além de 25 mil que trabalham em fornecedores e prestadores de serviços na região de Curitiba. Pedrucci lembra que a unidade já recebeu aportes de R$ 3 bilhões nos últimos três anos e estaria preparada para os próximos passos. 
 
“Também temos capacidade ociosa nas fábricas da Argentina e Colômbia. Caso seja necessário, essas plantas poderão aumentar a produção para abastecer outros mercados latino-americanos, enquanto o Brasil pode ficar mais concentrado no mercado doméstico”, explica Pedrucci. 
 
O Complexo Industrial Ayrton Senna da Renault em São José dos Pinhais está instalado em área de 2,5 milhões de metros quadrados, com 60% do espaço dedicado à preservação ambiental.

Fonte: automotivebusiness.com.br